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marianagugudada

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

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marianagugudada

19
Jan18

Conhecer os limites

jl

clay.jpgOlá.

Hoje enquanto andava a ver a Net vi uma peça de uma atleta que deixa qualquer um a pensar se existem sacrifícios que valem a pena. Claro que depois de ler a peça, a resposta é não, mas a pressão que estas pessoas sofrem às vezes poderá levar a ultrapassar os limites. Mas cá vai a história:

"Eu só queria ser a melhor", diz a atleta britânica Bobby Clay num relato na primeira pessoa publicado na revista Athletics Weekly.

Bobby era uma das grandes promessas do atletismo no Reino Unido, mas de repente passou a ser conhecida como "aquela menina". "A menina que treinou demais, a menina que não se alimentou. A menina de que todas as pessoas falam e que pensam que não acontecerá o mesmo com elas", refere a jovem.

"Sempre tive a confiança de que poderia ser alguém ao correr e competir, mas isso assumiu por completo o controlo da minha vida", admite.

A obsessão absurda pelo desporto levou a atleta a submeter-se, desde os primeiros anos da adolescência, a um regime de treinos duro que ultrapassou os limites físicos do seu corpo de adolescente. "Tenho 20 anos e nunca menstruei. Tenho 20 anos e sofro de osteoporose. Tenho 20 anos e agora sou 'aquela menina'".

Clay destacou-se desde cedo pela sua aptidão e gosto pela corrida. Ainda nos primeiros anos da fase da puberdade, integrou a seleção nacional britânica e participou em campeonatos mundiais de cross-country, modalidade disputada em terrenos irregulares.

Ficou em quarto lugar na prova dos 1.500 metros no campeonato mundial juvenil de 2013 e chegou às finais dos mundiais de sub 20 em 2014 e 2016. Aos 19 anos, tornou-se campeã europeia, obtendo a sua melhor marca nos 1.500 metros e um dos melhores tempos do mundo para atletas da sua idade. Tudo parecia indicar uma carreira de sucesso, mas o corpo da atleta começou a dar os primeiros sinais de fraqueza.

Fractura a nadar

"Estava a nadar normalmente e quando fiz uma viragem na piscina e empurrei a parede com os pés, um deles partiu-se. Doeu muito", disse a jovem em entrevista à BBC. "Não é normal partir um pé a nadar. Na verdade, é estranho", conta. Os exames médicos não deram margem para dúvidas: Os clínicos diagnosticaram à campeã europeia dos 1.500 metros uma osteoporose avançada. "Entrei em estado de negação, dizia-me que iria ficar bem, mas tive outra fratura e depois outra e mais outra", recorda, emocionada.

O corpo de Bobby Clay reagiu justamente quando a jovem tinha encontrado o "ambiente ideal" para crescer enquanto atleta. Estava na universidade e com um novo treinador. "Consegui progressos importantes e estava a aprender a treinar de forma inteligente", recordou.

No entanto, a jovem afirma ter consciência de que a osteoporose surgiu devido ao excesso de treino, défice alimentar e ausência de menstruação, algo que ela acreditava ser uma vantagem competitiva sobre as rivais. "Sabia que um corpo com pouca gordura não menstruaria, mas via isso como algo positivo para o meu rendimento desportivo", frisa.

Foi nessa altura que a campeã britânica começou a ter problemas alimentares e aí surgiram os primeiros sintomas da síndrome de deficiência energética no desporto (RED-S), que resulta do desequilíbrio entre o que se come e o dispêndio energético. A RED-S gera distúrbios hormonais e menstruais, anemia, fadiga crónica, aumento do risco de infeções e alterações da função vascular, o que eleva as hipóteses de enfarte ou acidente vascular cerebral.

Hoje, Bobby Clay está retirada da alta competição e faz tratamentos para estimular o corpo a produzir hormonas essenciais para aumentar a densidade óssea. O objetivo é ter, também, um ciclo menstrual normal.

Claro que fazer desporto é bom e saudável, mas isso deve fazer parte da vida e não ser a própria vida.

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