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marianagugudada

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

marianagugudada

03
Ago18

Saudades de barriga cheia

jl

saudades.pngBoas.

Hoje ao percorrer as redes sociais deparei-me com um artigo que me chamou a atenção e o qual falava sobre o poder que os consumidores têm na escolha de produtos por parte das Multinacionais. E embora se fale de empresas gigantescas, as mesmas estão a adaptar-se aos mercados.

Um dos casos que se encontra no oposto é o gelado Super Maxi. Embora tenha sido campeão de vendas durante anos a multinacional Olá passou a vender este produto exclusivamente em supermercados e mesmo assim ainda vendeu no ano passado cerca de dois milhões de exemplares.

Este produto foi lançado já em 1971 (há uma eternidade para os miúdos de hoje em dia) e o êxito do Super Maxi foi imediato e abriu caminho para que a multinacional criasse outros produtos exclusivamente adaptados aos gostos nacionais. Em 1973 surge o Epá e quem é que nunca comeu o gelado com a «chicla» no fundo?

E se este, é um gelado com tradição aqui na nossa terra, então que dizer do Cornetto de Morango, o qual no ano passado atingiu cerca de 6 milhões de unidades. E não falo dos produtos parecidos dos supermercados!

E apesar da Olá ter este produto em todo o Mundo, o Cornetto de Morango que se vende em Portugal é completamente diferente dos outro até porque embora se ouça dizer que se come mal; em Portugal cerce de 90% das pessoas consome fruta e vai daí a marca coloque mais morangos no Cornetto que se vende em Portugal. E somos o único país onde são adicionados morangos esmagados.

E já agora que tal uma McSande?

Ao contrário do que poderia parecer a cadeia norte-americana de fast food McDonald’s é uma das que mais se tem adaptado ao gosto português ao longo dos últimos anos. Começou por colocar sopa nos seus menus. Uma experiência inédita que resultou e que foi estendida para outros países. Acabou por ser o gosto dos tugas a influenciar a política de uma das maiores multinacionais de alimentação do mundo.

Depois disto, seguiu-se a McBifana, um prato que veio preencher esse gosto tão português de juntar pão e carne de porco. Uma “mistura perfeita”, como descreveu o falecido Anthony Bourdain, no final do programa que realizou em Lisboa, enquanto comia uma bifana numa tasca da capital. Claro que isto foi na capital, porque quem for da zona do Porto chamar uma McBifana aquele produto é pecado, porque uma bifana da Conga fica a anos-luz!!

Mas a McBifana foi criada em exclusivo para Portugal e desenvolvida em parceria com fornecedores nacionais. Atualmente, a McDonald’s compra anualmente 250 toneladas de carne de porco, toda de origem portuguesa.

Em julho do ano passado, os menus passaram a ter o hambúrguer Rústico, com pão produzido em Portugal. Actualmente, um português consegue entrar num McDonald’s e fazer uma refeição completa com sabor português, começando na sopa, passando pela bifana ou melhor pela fêvera, acompanhada por uma salada, e acabando no pastel de nata com uma bica.

Quando chegou ao nosso país, em 1991, todos os fornecedores da McDonald’s eram estrangeiros. Actualmente, cerca de 42% de matérias-primas nacionais, provenientes de 30 fornecedores portugueses, como é o caso da Vitacress, com alface, cenoura e outros vegetais. A maçã vem da Campotec, na zona Oeste, o ketchup é fornecido pela Italagro (mas embora não seja tuga o Ketchup da Heinz é inigualável), com sede em Castanheira do Ribatejo, e os molhos pela empresa Mendes Gonçalves, sediada na Golegã. A Panike, por sua vez, já fornece anualmente 348 toneladas de pão de água para a McBifana, pão alentejano fatiado e pão de cereais.

Dos maiores sucessos no nosso país. O Nestum

No que respeita a cereais, somos o povo que mais gosta de os comer em papa. Algo que já vem de há dezenas de anos. Por essa razão, a Cerelac e o Nestum são campeões de vendas no mercado nacional, sendo que este é um produto que surgiu no nosso país em 1958. Na altura chamava-se apenas Nestum Rico em Proteínas. Era a primeira vez que apareciam em Portugal os cereais de pequeno-almoço em flocos. A moda pegou e, ao longo dos anos, foram sendo desenvolvidos outros sabores, como figo e arroz. Mais tarde, surgiram chocolate, alperce e amêndoas, entre outros. Hoje restam cerca de nove sabores no mercado e mais adaptados aos hábitos de consumo atuais. Mas, apesar do rejuvenescimento do sabor, há um que não só se mantém firme como lidera as vendas deste produto: o Nestum com Mel.

Actualmente, a fábrica de Avanca produz cerca de 12 mil toneladas por ano de Nestum, na sua grande maioria consumido em Portugal. Ao todo, consomem-se em média cerca de 47 mil caixas de Nestum por dia no nosso país.

E a que se deve este sucesso? Enquanto nos outros mercados, os cereais são consumidos pelas crianças, a Nestlé refere que em Portugal são apreciados por todas as idades.

Já no que diz respeito a produtos desenvolvidos para os portugueses, um dos casos mais famosos desta multinacional suíça são as chamadas misturas solúveis, como Mokambo (quem nunca ouviu a música diga bom dia com Mokambo…), Bolero ou Pensal. São produtos desenvolvidos para Portugal, criados numa altura em que o café era um produto bastante caro. Mas, numa época em que o café está mais barato, estas bebidas voltam a ter, nos dias de hoje, uma grande procura, por duas razões. Pela tendência da população em procurar bebidas mais saudáveis, à base de cereais, e pela opção de reduzir o consumo diário de cafeína o que traz sempre consequências ao nível da saúde.

Estes são produtos que marcaram e que ainda marcam gerações. Claro que existem produtos que acabam e que nunca irão retornar. Um desses casos que me marca pessoalmente é o chocolate Inca que me deixa uma saudades tremendas que só de me lembrar dá-me um aperto no estômago, mas compreendo que as grandes marcas tenham como objectivo as vendas e os respectivos lucros e hoje em dia cada vez mais as coisas são passageiras.

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