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marianagugudada

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

marianagugudada

12
Nov18

Ser altruísta

jl

vichai.jpgBoas.

Já vai há uns dias em que o presidente do Leicester faleceu mas agora venho falar um pouco mais desta pessoa.

Vichai Srivaddhanaprabha é um nome que de inglês não tem nada, mas que ficará sempre marcado na cidade de Leicester. O senhor Vichai faleceu com mais quatro pessoas na queda do seu helicóptero ao sair do Estádio.

Nascido em Banguecoque a 5 de junho de 1958, Vichai era um homem adorado em Leicester. Ele tinha-se tornado um empresário através das lojas King Power (duty free), aproveitando o boom do turismo no seu país nos anos 90. No ano de 2006, aquando da inauguração do novo aeroporto na capital tailandesa, a King Power ficou com o exclusivo das lojas no recinto e a fortuna de Vichai cresceu, tornando-o um dos milionários mais proeminentes do país - ocupava atualmente o quinto lugar nessa lista, com uma fortuna avaliada em 2,8 mil milhões de euros.

Em 2012, foi homenageado pelo seu país, quando o Rei Bhumibol lhe atribuiu o nome de Srivaddhanaprabha, título atribuído pela monarquia tailandesa a pessoas que se destaquem pelos contributos para o país. Esta palavra (muito simples) significa «a luz da glória progressiva».

A ligação ao Leicester iniciou em Agosto de 2010, quando Vichai comprou o clube, então no Championship (segunda divisão do futebol inglês) a Milan Mandaric por quase 44 milhões de euros. Já nessa altura, a King Power era o principal patrocinador do Leicester há duas temporadas.

Diz-se, que a paixão do tailandês pelos foxes (como são conhecidos os adeptos do clube) remontava a 1997, ano em que o Leicester venceu o Middlesbrough (1-0, após prolongamento) na final da Taça da Liga inglesa, em Wembley .

O milionário pagou as dívidas do clube (sendo que em Portugal este senhor era logo internado num hospital psiquiátrico), que ascendiam aos 120 milhões de euros e contratou reforços e o treinador Sven-Goran Eriksson, sueco que havia sido selecionador inglês de 2001 a 2006.

Quatro anos depois foi conseguida a promoção à Premier League, com o inglês Nigel Pearson ao comando. Manteve o mesmo técnico na época seguinte, em que o Leicester conseguiu a permanência na penúltima jornada.

Para a época 2015/16, uma aposta mais arrojada, na tentativa de conseguir um lugar no top-6: ao banco chegava o conhecido (mas não vencedor) Claudio Ranieri que apesar das passagens por clubes tão conhecidos como o Valência, o Atlético de Madrid, o Chelsea, a Juventus, a Roma ou o Inter de Milão nada tinha conquistado.

Quer nos sonhos do sr.Vichai, mas também de 99,9% dos adeptos, o impossível (ou quase) aconteceu. O Leicester protagonizou o mais belo conto de fadas da história do futebol , sagrando-se campeão inglês com enorme vantagem em relação aos tradicionais competidores ao título (o Arsenal ficou a dez pontos, o Tottenham a 11, os rivais de Manchester ambos a 15, o Liverpool a 21 e o Chelsea a... 31).

Na temporada seguinte, surgiu um dos momentos mais difíceis na carreira de gestor desportivo: ter que demitir Ranieri em Fevereiro de 2016, nove meses depois da maior glória do clube. Nesse momento, o clube encontrava-se apenas um ponto acima da zona de despromoção.

Ranieri, todavia, não guarda quaisquer rancores do ex-patrão. O senhor Vichai era um homem bom, que teve sempre uma palavra positiva para todos e que apenas entrava no balneário para elogiar e nunca para culpar alguém. Era um homem, sempre feliz, com um sorriso que iluminava o seu rosto. Tornou melhor todos os que se cruzaram com ele, referiu o técnico italiano.

A personalidade gentil e generosa do dono do Leicester é, aliás, mencionada por muitos dos que com ele se cruzaram. Em Leicester, doou 2,2 milhões de euros para a construção de um hospital pediátrico, ofereceu 1,2 milhões para renovar o departamento de medicina da universidade local e deu 100 mil euros para a preservação dos restos mortais do rei Ricardo III. Aqui é assim com os nossos políticos. Prometem fazer muito com o dinheiro que não é deles. A não ser que sejam eleitos em que o dinheiro passa a ser deles e obras, zero.

 Antes dos jogos em casa, era usual oferecer cachorros-quentes, cerveja e donuts aos adeptos do clube, tendo no dia do 60.º aniversário sorteado 60 bilhetes de época.

No seu país, um cantor fez uma corrida do sul até ao norte para angariar donativos que seriam entregues aos hospitais: o senhor Vichai deu 100 milhões de baht (cerca de 2,7 milhões de euros) para esta causa.

No passado ano comprou o Leuven, da Bélgica, e contratou o guarda-redes titular da seleção da Tailândia (Kawin Thamsatchanan) -com o objetivo de o levar posteriormente para Inglaterra.

Um dos projectos que tinha era o Fox Hunt, onde miúdos tailandeses eram escolhidos para ir para Inglaterra, indo para a academia do Leicester (como tudo pago), para promover o desenvolvimento deles enquanto jogadores e pessoas e depois colocá-los em clubes da Tailândia. Quer técnicos, quer jogadores do Leicester iam estagiar algumas vezes para o seu país. E eram feitos contributos monetários para as selecções, tanto masculinas como femininas, e foram construídos mais de 100 campos por todo o país para as crianças jogarem futebol.

Praticante da religião budista - criou uma sala de oração no Estádio King Power, por onde passava antes de cada jogo.

Apesar de todo este protagonismo, fugia a sete pés dos holofotes, cultivando a discrição. Os únicos momentos que se lhe conhecem de manifestações públicas aconteceram após a subida à Premier League, em 2014, e depois nos festejos do título de campeão, onde recebeu a taça de campeão no relvado, posando com a mesma ao lado da família.

Mas a vida é mesmo assim, não dá para escolher quem morre ou quem viva. Mas pessoas como esta deixam saudades pelo bem que praticavam. E este é um exemplo para muitos milionários que hoje existem. Fica na História que emprega os seus bens na sociedade e não quem quer ficar com os bens da sociedade.

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