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marianagugudada

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

A vida não é feita por parcelas, é feita pelo todo

marianagugudada

26
Abr18

Um dia destes, conforto é sem assento

jl

voar.jpgOlá.

Que estejam bem por aí. A semana passada aproveitei um tempo mais livre e fui fazer uma experiência. Fui ver como uma sardinha se sentia numa lata. Embora não fosse numa lata, o Metro do Porto adaptou-se a isto que nem uma luva. Se por um lado é mau, porque ao nosso lado pode calhar uma pessoa que não toma banho há uns dias, ou o calor ser em demasia se o ar condicionado não estiver a funcionar em condições. Por outro lado até é bom porque se houver uma travagem de emergência ninguém se magoa porque basicamente nem nos conseguimos mexer.

Isto vem no seguimento de uma peça que li e que dizia que as empresas de aviação insistem na ideia de viajar de pé no avião.

Não é a primeira vez que surge esta discussão. A ideia dos passageiros nos aviões passarem a viajar de pé. A verdade seja dita, que basta ver que as empresas de aviação ditas “low cost” que algumas delas quase que fazem isso, dado o espaço exíguo disponível aos passageiros.

Quando viajar de avião começou a ser muito mais barato, algumas empresas começaram a configurar os aviões com mais cadeiras, maximizando o espaço útil para aumentar o número de passageiros num voo.

As empresas de “baixo custo” que cada vez são mais, querem aumentar o lucro num voo, mesmo que isso retire todo o conforto ao passageiro, o que actualmente já não é preciso muitos sacrificios. Claro que não serão todas, mas já há algumas que o fazem sem hesitação. Mas muitas vezes a culpa é nossa, porque se houvesse propostas que os passageiros viajassem de pé, nós aceitaríamos.

As entidades reguladoras, desde o primeiro momento, não permitem sequer ensaio para que os passageiros possam ser acomodados de pé nos aviões. Por razões de segurança não há sequer uma ideia que seja posta à discussão. Não obstante a essa relutância, várias empresas apostaram em patentear sistemas para transportar as pessoas ocupando “quase só os lugares dos pés”.

 Uma empresa italiana, a Aviointeriors, criou um novo conceito para posicionar e configurar equipamentos que permitam às companhias de aviação fornecer viagens aos passageiros “com conforto”, mas em pé. A parte em que escrevo conforto é só para manter o bom humor.

Num evento na Alemanha, a empresa apresentou a nova versão de um estilo de “assentos” que são parecidos a uma “sela”. Estes encostos são projetados para cabines económicas de densidade ultra-alta. No projeto Skyrider 2.0 o passageiro fica com as costas apoiadas, mas continua a ter de suportar o corpo e o equilíbrio com os pés, o que não deve certamente ser confortável e em caso de emergência, e que em nada deverá proteger a pessoa. Apesar dos clientes irem montados numa «sela», quem faz figura de buros são eles.

A empresa, no seu site e nos folhetos promocionais, explica que esta nova configuração permite gerar mais assentos por fila, cerca de nove lugares sob três grupos de três assentos, em cabines médias. Esta disposição terá um ganho de 20% em quantidade de assentos e uma redução de peso até 50%, o que se traduz num duplo e generoso benefício para as companhias aéreas. As empresas assim têm mais passageiros em cada voo e diminuem em muitos quilos o que poupa consideravelmente no combustível de cada viagem. Uma maneira bastante engraçada de viajar, ou não! E até há uns anos atrás os tugas estavam bem treinados. Bastava ver as horas que se passava de pé nas Finanças para se entregar as declarações do I.R.S.. Agora é o oposto, estamos sentados horas a fio para aceder ao site da Autoridade Tributária.

Mas que espaço teria o passageiro? A moda seria acomodar adeptos do ginásio, isto porque, atualmente, as companhias aéreas de ‘baixo custo’ oferecem uma distância mínima de 71 centímetros entre filas dentro de cabines económicas. Contudo, com o Skyrider 2.0 esta distância seria reduzida para 57 centímetros.

Se já com a configuração actual o espaço é pouco e torna as viagens quase que num inferno, mesmo que sejam de uma hora ou menos, agora imagine estar a pouco mais de 50 cm do passageiro da frente e do de trás. Especialmente se o da frente estiver com gases e o da frente sem tomar banhito.

Há duas empresas que anunciaram publicamente no passado a intenção de colocar este tipo de equipamentos nos seus aviões: VivaColombia e claro está a Ryanair. Claro que mesmo tendo essa intenção, as empresas estão dependentes da autorização do regulador. Felizmente, as autoridades não têm dado luz verde e, segundo parece, não será dada nos próximos tempos. Pelo menos, assim se espera!

Não se pode esquecer que as autoridades estão contra este tipo de configuração sobretudo por razões de segurança mas com o aumento da qualidade das aeronaves, a diminuição considerável de acidentes aéreos, poderemos estar mesmo a caminhar para viajar de pé nos aviões, mesmo que o conforto seja totalmente sacrificado.

Claro que quem aprova este tipo de coisas só anda em primeira classe a não ser nas viagens inaugurais para que assim apareçam nas notícias. Estamos num tempo em que existem grupos de cidadãos que são contra a falta de condições no transporte de animais para abate, mas quando toca a falar da falta de condições para as pessoas, esses intelectuais parece que desaparecem.

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